Filmes em Exibição

Os filmes que integram a mostra se articulam em dois eixos interligados, divididos em 16 programas, como descritos na página Eixos da curadoria. De um lado, "O cinema e a bruxa: iconografia clássica"; do outro, "Bruxas contemporâneas: corpos indomáveis, saberes ancestrais". Partindo das construções dicotômicas na literatura infantil, passando pelos relatos de perseguição e morte de milhares de mulheres na passagem para o período moderno, até a sua apropriação como símbolo de poder feminino no início do séc. XXI, fato é que a bruxa nunca saiu do imaginário popular - e, tampouco, do cinema. Presente desde os primórdios do meio, sua imagem foi alvo de diversas transformações ao longo das décadas, em figurações que tanto podiam reforçar visões pejorativas de fundo misógino, quanto defender uma autonomia feminina sobre seus próprios corpos e desejos. Tais mudanças fazem da bruxa uma das personagens mais complexas do cinema, e é dessa poderosa ambivalência que surge esta programação.

A curadoria da mostra, assinada por Carla Italiano, convoca os principais tropos que cristalizaram o arquétipo da bruxa no imaginário ocidental - na moral dos contos de fadas, nas elaborações monstruosas do cinema de horror, nas encenações de caça às bruxas ou nas comédias de viés romântico. Já o segundo eixo da programação busca alargar a ideia de bruxa ao evocar a expressão "mulheres mágicas". Inspiradas pela escritora Silvia Federici - que conduzirá uma masterclass online em abril -, buscamos extrapolar a iconografia clássica de gênese europeia ao apresentar essa figura como aquela que dialoga com outros tempos e mundos, questiona as normatividades de determinado contexto, habita os espaços limites da sociedade. A partir de perspectivas feministas e decoloniais, também entendemos essas mulheres mágicas como as que levam adiante os saberes comunais e de lida com a terra, as que resistem às tentativas de domesticação, as curandeiras, parteiras, feiticeiras ou trabalhadoras, as que evocam uma ancestralidade ameríndia e afrodiaspórica; em suma, as que apostam em certo reencantamento do mundo que nos rodeia.

Além de exibições presenciais no Centro Cultural Banco do Brasil entre 9 de março e 9 de maio, a mostra conta com 4 títulos exibidos gratuitamente aqui.

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O REINO DAS FADAS

(França, 1903, 16')

de George Méliès

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O MÁGICO DE OZ

(EUA, 1939, 101')

de Victor Fleming

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COVIL DAS BRUXAS

(EUA, 1943, 12')

de Maya Deren

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A MÁSCARA DE SATÃ

(Itália, 1960, 87')

de Mario Bava

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TEMPORADA DAS BRUXAS

(EUA, 1972, 90')

de George Romero

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TRANSFORMATIONS

(EUA, 1976, 9')

de Barbara Hirschfeld

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A ÁRVORE DE ZIMBRO

(Islândia/EUA, 1990, 78')

de Nietzchka Keene

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AMORES DIVIDIDOS

(EUA, 1997, 110')

de Kasi Lemmons

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OLÁ, RAIN

(Nigéria, 2018, 30')

de C.J. Obasi

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A BRUXA DO AMOR

(EUA, 2016, 120')

de Anna Biller

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EU NÃO SOU UMA BRUXA

(Zâmbia/Reino Unido, 2017, 93')

de Rungano Nyoni

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QUEM TEM MEDO DE IDEOLOGIA? PARTE 2

(Líbano/Síria, 2020, 38')

de Marwa Arsanios

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KAAPORA - O CHAMADO DAS MATAS

(Brasil, 2020, 20')

de Olinda Wanderley Yawar

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HÄXAN: A FEITIÇARIA ATRAVÉS DOS TEMPOS

(Suécia/Dinamarca, 1922, 105')

de Benjamin Christensen

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DIAS DE IRA

(Dinamarca, 1943, 98')

de Carl Th. Dreyer

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SORTILÉGIO DO AMOR

(EUA, 1958, 103')

de Richard Quine

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O MARTELO DAS BRUXAS

(Tchecoslováquia, 1969, 102')

de Otakar Vávra

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A DUPLA JORNADA

(Argentina/Bolivia/México/Venezuela, 1975, 53')

de Helena Solberg

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SUSPIRIA

(Itália, 1977, 98')

de Dario Argento

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PRAISE HOUSE

(EUA, 1991, 28')

de Julie Dash

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FEITICEIRAS, MINHAS IRMÃS

(França, 2010, 31')

de Camille Ducellier

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LA CABEZA MATÓ A TODOS

(Porto Rico, 2014, 8')

de Beatriz Santiago Muñoz

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BORDERHOLE

(EUA/Colômbia, 2017, 14')

de Nadia Granados, Amber Bemak

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BOCA DE LOBA

(Brasil, 2018, 19')

de Bárbara Cabeças

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AMARRAÇÃO

(Brasil, 2020, 7')

de Hariel Revignet